domingo, 12 de novembro de 2017

Sobrevivendo

Tenho, nos últimos dois anos e meio, passado por profundas e dolorosas transformações. 

Passei por situações as quais eu jamais teria imaginado passar; fiz coisas que eu não me veria fazendo e, pior, que outrora eu teria criticado veementemente... Senti dores tão lacerantes que, por vezes, realmente pensei em me entregar, em entregar os pontos... Experimentei momentos de solidão tão intensa que pensei que acabaria perdida em mim mesma...

E cá estou. Interessante como realmente, a despeito do que achei em diversos momentos, eu sobrevivi. Toda cheia de cicatrizes, costurada... retalhos de alguém que um dia fui.

Ainda sinto dores, as feridas ainda sangram, mas tenho me sentido, a cada dia mais, como que renascendo devagarinho.
​​
Déia escreve aos domingos e está, timidamente, buscando forças para conseguir abrir novamente o coração e deixar que as palavras presas se soltem e migrem para o mundo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Profissão ou Vocação?

Marido sem face sempre diz que é médico por profissão, não por vocação. Ele diz que não é destes caras aficionados, que amam a Medicina mais que tudo, abnegados em suas próprias vidas em benefício dos pacientes.

Quer matar marido sem face de raiva é aparecer o personagem daquela série que o médico só sai do hospital na periferia pra comer misto e café com leite na banquinha de frente e, ao ouvir a primeira sirene, já larga a comida e corre pra salvar a vida do paciente lá dentro.

Isso é o que ele diz. Porque o que eu vejo diariamente há dezessete anos, tempo em que estamos juntos, é bem diferente.

O que eu vejo é um cara acordar todo dia às seis da manhã, quando não às cinco, se arrumar, tomar café e ir cheiroso e bem disposto para o posto de saúde em uma das cidades com menor IDH do Brasil, depois de dirigir por uma hora. Sim, não é consultório, não é hospital particular. É posto de saúde em área de risco. Marido sem face, a despeito de seu 1,90m, muitos quilos e cara de bravo, já foi ameaçado por vagabundo armado dentro do posto de saúde. Quase fiquei viúva antes mesmo de me casar e só fui saber disso muitos anos depois. Ele sabia que eu ia surtar quando me contasse e que eu ia insistir pra ele largar o posto de saúde em Ribeirão das Neves. E eu ia mesmo insistir até conseguir convencê-lo a sair de lá. 

Isso era o que eu pensava que conseguiria. Hoje não tenho mais esta petulância. Uma vez fui conhecer o posto em que ele trabalhava num bairro (ainda mais) pobre de Neves. O que eu vi lá me chocou: a rua não tinha calçamento, corria esgoto a céu aberto e a luz do posto era um gato, porque tinha explodido alguma coisa e a prefeitura e a Cemig ainda não tinham arrumado. Marido sem face sentava em uma cadeira de ferro, dura, fazia um calor infernal e não tinha nem um ventilador por lá. Comprei uma cadeira decente e um ventilador, já que não podia colocar ar condicionado no consultório. O computador que tinha neste posto especifico, fui eu que doei. 

E marido sem face lá, todo santo dia, sendo médico por profissão, segundo ele.

Depois de muito tempo neste posto, foi transferido para um outro, mais bem localizado (mais seguro, entenda-se). Os problemas mais graves eram os mesmos: dificuldades pros pacientes fazerem exames, a ignorância da população para aderir ao tratamento, paciente doido pra aposentar por invalidez ou pelo menos conseguir um atestadinho, vereador indo bater na porta para furar fila de atendimento para eleitor e por aí vai. 

Uma vez, marido sem face teve um problema numa clínica em que trabalhou (sim, são vários "empregos") porque pedia para o paciente, se possível, realizar o exame no laboratório x, no qual ele confiava. A clínica tinha um laboratório também e houve uma celeuma porque ele não encaminhava os pacientes direto pro laboratório da clínica. Perguntei porque ele preferia o outro laboratório; disse que estava preocupado com a qualidade do exame para tratar adequadamente o paciente e não com o departamento financeiro da clínica. 

Uma outra vez ouvi de um colega dele que achava um desperdício um cara do nível de marido sem face, inteligente, articulado, trabalhar no posto de saúde ao invés de abrir um consultório próprio. Eu também achava. Apesar de já ter ouvido isto de outros colegas de marido sem face, esta foi a única vez em que o questionei. E pobre não tem direito à medicina de qualidade?! Toma distraída! Quem mandou?! 

Este é meu marido sem face, médico por profissão, não por vocação, segundo ele. Que me mata de orgulho todo santo dia. Que traz muito conforto e alento a quem muitas vezes não tem mais nada. 

Parabéns pelo seu dia, mesmo você não tendo face.

Em tempo: parabéns a todos os médicos com quem convivo e compartilho as dificuldades!

Laeticia morre de orgulho do marido sem face todo santo dia.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Com as fases e as marés

E eu, como estou?
Que sumi por aqui
Ando por aí, por ali...
Acompanhando as marés... os processos...
As luas que minguam, que crescem, que se renovam... E as que enchem... Enchem os corações da gente com os mais diversos sentimentos. Nosso corpo repleto de emoções e sensações. Que transbordam quando a Lua enche.
E nesse movimento que não para, tenho me movido mais acelerada.
Numa urgência de tempo (eu e minha velha questão com o tempo, numa relação de amor e ódio).
E enquanto isso eu vou
Correndo
Aprendendo
Refazendo
Renovando
Pulsando
Minguando
Renascendo
Apaixonando
E desapaixonando
Crescendo
Doendo
Querendo
Movendo
Transmutando
Ressignificando
Respirando
Hoje, transbordando.
E por fim, vivendo.
Tudo não necessariamente nessa mesma ordem.




Gabriela tem um quê de "haribo", como diz uma amiga, "nailô" como diz seus pais, mística, como dizem por aí. E percebeu recentemente que não sabe lidar muito bem com as Luas Cheias. Mas respeita o movimento inspirador que elas provocam. E vibra, pois enfim, voltou aqui.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Escutar

Ando tão distante do blog, muito porque os assuntos que me apetecem discutir são pesados e cada texto que inicio acaba indo drasticamente para um lado pessimista.
Mas hoje me fizeram um desafio (uma tarefa de casa, na verdade, mas que será um desafio para mim) e quis compartilhar aqui. A tarefa é:

"passar um dia inteiro sem interromper as pessoas quando estão falando". 


O curioso é que ando muito introspectiva, buscando me (re) encontrar, e uma das questões que venho pensando é em como eu costumava ouvir com facilidade às pessoas. Ouvir mesmo, não esperar a pessoa parar para respirar e aproveitar o intervalinho para retrucar, ou para contar algo parecido. Apenas ouvir. Perguntar o que fosse necessário para facilitar o entendimento. Essa era uma das qualidades que eu prezava muito em mim mesma e que, em algum momento dessa vida loka, eu perdi.
Não sei se foi a pressa para acompanhar o ritmo acelerado das coisas por fazer. Não sei se foram as mudanças causadas nos diálogos que se tornam cada vez mais superficiais, devendo caber dentro de 120 caracteres por assunto. Ou talvez eu esteja ficando egoísta. Não sei... mas sei que atenção é algo muito valioso para dar a alguém. Tempo. Dedicação. Interesse. Respeito. Tudo isso se doa em uns minutos (que podem, sim, virar horas) de uma conversa de verdade, com escuta atenta e generosa.
E eis que sou desafiada a passar um dia tentando sem interromper os outros. Parece banal, mas fiz um exercício de ouvir uma história de 5 minutos, bem interessante e bem contada, e tive que me conter diversas vezes. Fiquei chocada!
Mas, vocês podem estar falando (e me interrompendo!) só não interromper não quer dizer que você esteja realmente ouvindo. Verdade. E por isso minha mentora pediu que eu registrasse quantas vezes meu pensamento se distrai e dou uma viajada básica
Não comecei o desafio mas já estou analisando como me comporto em diálogos e confesso que não vai ser fácil. Pretendo encarar como um processo de auto conhecimento e crescimento, e não apenas como um para-casa. 
Espero ter bons resultados para compartilhar!

Renata escreve no blog há quase dez (DEZ!) anos, e tem sido muito seletiva no que compartilhar por aqui. Espera se sair bem no desafio boca fechada!





quinta-feira, 9 de março de 2017

Daquele 8 de março de 2017...

Nesse 8 de março tão emblemático, de uma época em que vivemos o ápice da informação sobre a luta das mulheres contra atitudes machistas; mulheres essas que perderam a vergonha de se expor e contaram tudo o que vivenciaram, dando a oportunidade para outras mulheres, como eu, de se reconhecerem em cada ou diversas situações. 

Confesso que quando li as primeiras “confissões” vivenciadas por conhecidas ou desconhecidas, fiquei chocada. Nas minhas veias ainda correm os ensinamentos de minha mãe e de minha avó, aqueles do tipo - “roupa suja se lava em casa”, “devemos ser discretas”. Mas, no momento seguinte, me identifiquei e reconheci que cada texto daquele trazia um aprendizado dolorido de mulheres para outras mulheres, como eu, que ainda enxergavam aquelas atitudes como “normais” acordarem! Eram para um bem maior, uma doação.

O que mais me surpreendeu foram os relatos de esposas e seus companheiros ou ex-companheiros. 

Lembrei de uma história, que aconteceu comigo e um namorado. Eu mordi os lábios dele, que era grande e bem mais forte que eu. Foi o que consegui fazer, presa entre seus braços e pernas, sem poder gritar por ajuda, depois da recusa em dormir com ele. Ter agredido ele fisicamente me trouxe uma culpa imensa e gerou muitos insultos no dia seguinte. Na época me calei e concordei que eu estava louca, como ele disse. Me sucumbi àquela culpa e aguentei ouvir aquela história, sendo contada por ele, omitindo o motivo da agressão, colocando a mim como carrasca.

Histórias de agressão física não se repetiram. Eu calei as psicológicas. E vivi feliz para sempre. Até hoje...

O que me deixa triste é que somente depois de anos, (e graças ao que tenho lido dessas mulheres corajosas desta nova geração), eu tenha descoberto que insultos assim sairiam, sim, da boca de homens que insistem em dizer que “mulher que apanha, apanha porque merece”. Hoje aprendi com elas que, o simples pronunciar desta frase já é uma agressão. 

Por causa delas foi que entendi que se alguém tenta te diminuir, dizendo coisas do tipo: “você não pode viver sozinha pois não conseguirá se sustentar, a não ser que arranje um emprego de telemarketing das 23 às 6 hs (desqualificando o trabalho da mulher e do profissional de telemarketing); “ você não pode ser mãe por ser mais infantil que uma criança” (desqualificando seus desejos); “você está agindo como puta! Você é uma mulher casada!” - quando você saí a noite com suas amigas (desqualificando anos de luta por liberdade feminina); ou ainda te chama de “careta louca” por você achar um absurdo ele dar cobertura para o amigo adúltero, afinal “o problema é deles e não meu!” (reafirmando sua supremacia machista ao defender o amigo MACHO), ele está agredindo você! 

Infelizmente foram coisas que experimentei quando não tinha maturidade para reconhecer o que é GASLIGHTING e outros conceitos de agressão à mulher. E agradeço demais por estar tendo a oportunidade, de coração tranquilo quanto ao passado, de aprender, amadurecer e mudar! Não me calo NUNCA MAIS. 

Nada de sentimentos de piedade. Nada de “Pobre de nós mulheres que enfrentamos isso”...mimimi! De jeito nenhum!

Existem homens maravilhosos, companheiros, que acompanham essa mudança na sociedade e estão querendo estar ao nosso lado nessa luta. Ainda bem! E ainda bem que conheço pessoas assim. Singulares. Homens e mulheres. Gente que trata o assunto com naturalidade, mas naturalidade de leão que defende o bando!

Essas pessoas estão me ensinando a ser mulher de verdade. Mulher, com todas as fragilidades mas também qualidades femininas. Me ensinam reconhecer o valor de cada atitude anti-machista e selecionar, escolher a quem vale estar por perto. E principalmente não deixar acontecer menos do que eu mereço. Eu, mulher. Eu, ser humano do bem.



LorisB. deseja um Feliz dia das mulheres, como são. Cada qual com suas particularidades. Cada qual com seus desafios e cada qual com o direito de ter seus afetos sempre renovados e estabelecidos.

terça-feira, 7 de março de 2017

Eu não vim aqui falar do machismo nem do feminismo (mentira!)

Eu não vim aqui falar do machismo nem do feminismo, afinal ambos não existem, são puro devaneio de mulher histérica. Eu vim falar de sexismo e misognia. E de sororidade. Palavras tão pouco faladas até pouco tempo que tem muita gente que ainda não está familiarizada, nem com as palavras, nem com que elas representam. 

Há umas duas semanas eu estava voltando de uma reunião no local que eu trabalho na qual existiam sete homens e eu. Nada mais natural já que na maioria dos locais de trabalho existem mais homens, afinal eles são bem mais qualificados, mais equilibrados, não entram em licença maternidade e não passam pela tpm todos os meses. Assim que sentei no computador li um artigo que falava sobre as barreiras enfrentadas pelas mulheres no meio científico. O ponto principal do artigo é que mulheres não são convidadas a avaliar os trabalhos de seus pares. E, se pensarmos bem, não estamos falando só que as mulheres não são convidadas a avaliar trabalhos de homens, as próprias mulheres não confiam seus trabalhos para a avaliação por outras mulheres. 

Coincidentemente, nessa mesma semana vi a foto de uma ex-orientanda que estava agora defendendo seu doutorado. A foto com a banca. Ela lá miúda cercada por cinco homens. Poxa, na minha defesa de doutorado a banca foi assim também, lembrei! As mulheres não confiam seus trabalhos a serem avaliados a outras mulheres (ou não influenciam seus orientadores para isso, nesses casos em específico), nem eu! Claro que isso foi há muito tempo e na minha atuação profissional dentro da academia, mesmo que algumas vezes instintivamente, priorizei as parcerias com outras mulheres, a orientação de mulheres e o reconhecimento de seu brilhantismo ou trabalhei para fazer aflorar seu brilhantismo podado.

Além disso já foi visto que o aceite de artigos científicos por determinadas revistas é mais fácil quando o autor principal é homem. Ah gente, super natural! Natural como aquele caso das autoras que receberam como resposta do editor de uma revista científica que seria melhor elas re-submeterem o artigo usando o nome de um homem como autor principal. Natural como a luz do dia, lógico que elas deveriam atribuir a autoria do seu trabalho a outra pessoa. Pode isso? 

Nesse contexto, o filme “Estrelas além do tempo”, muito falado no momento, é sobre a corrida espacial norte-americana na época da guerra fria, tendo como ponto central as dificuldades vividas por um grupo de mulheres negras em conquistarem reconhecimento na ciência e na engenharia. Um outro artigo fala sobre “como ‘Estrelas Além do Tempo’ destaca desafios ainda em voga para mulheres na ciência e na tecnologia”. Sim, as coisas avançaram, mas ainda há dificuldades (de 1961 para 2017). O artigo ainda comenta como meninas e mulheres atuais podem ter tido seu potencial prejudicado pela falta de referências femininas nas áreas de ciência e engenharia. “Não porque essas mulheres não existam, mas porque permanecem ocultas sem o seu devido reconhecimento.”

Outro fato que a Renata aqui do blog me chamou a atenção é que as mulheres não aplicam para vagas em que elas não estão enquadradas em 100% dos requisitos. Você pensou: natural também, a velha insegurança feminina! Para o meu emprego atual eu apliquei para uma vaga em que não me enquadrava em nenhum dos requisitos. E, segundo meu chefe, para ele eu me enquadrava perfeitamente na vaga. Veja bem, a não ser que a vaga tenha sido criada para uma determinada pessoa, muito dificilmente vai aparecer alguém que preencha 100% dos requisitos! A propósito, os homens aplicam quando querem.

Não gente, não é questão de insegurança, e se é, pensem em como fomos criadas. Fomos doutrinadas para nunca acreditarmos ser tão boas quanto somos. Desde a infância. Já ouvi falar até de mães que não reconhecem o brilhantismo, esclarecimento e força de suas filhas mulheres, mas exaltam os filhos homens, até os filhos dos outros. No meio científico existem muitas histórias de sexismo. Ouvimos muitas vezes que não somos brilhantes, despautérios como “não inventa de engravidar”. Quando somos mais duras, somos vacas mal-comidas, isso ouvido de outras mulheres! Enquanto um orientador mais duro é visto com temor e... engole o choro! (ou não, porque aluno chorar tá tão fácil hoje em dia, já viram?). Dentro da universidade já vi professor incitar disputas entre mulheres. Já vi professor assediar mulheres pela simples necessidade de poder. Assediar física e moralmente, Já ouvi dizerem que fulana só passou em tal prova por causa do tamanho do short. E ouvi muitas vezes que fulana devia estar dando para tal professor. Entre outras bizarrices.

Um estudo bastante extenso mostrou que mulheres abandonam mais as carreiras de ciência e tecnologia, mas porquê? Você pensou: claro, a velha falta de persistência feminina! Pois está enganado, cita-se “a preocupação com a falta de oportunidades de crescimento” e o fato de serem “tratadas injustamente, receberem salários menores e apresentarem menos chances de serem promovidas do que seus colegas do sexo masculino”. Algum de vocês já passou por isso? Posso usar meu próprio exemplo aqui, não abandonei a carreira, mas mais de uma vez abandonei um emprego por ser tratada injustamente. Além disso, quantas ideias as mulheres dão e só são ouvidas quando sugeridas por um homem! Claro que se uma mulher decide abandonar sua carreira pela família ou para viver outras aventuras não tem problema nenhum, escolhas devem ser respeitadas sempre. O ponto aqui é aquela que acaba abandonando sua carreira por pressão ou por deixar de enxergar perspectivas.

Assim como a personagem Katherine de “Estrelas além do tempo” precisou levantar a voz para demandar respeito em um momento de desespero, muitas de nós dentro da academia ou em outros meios profissionais, também temos esses momentos de desespero. Como aqueles momentos que interrompem a nossa fala, ou desconstroem os nossos esforços. E ao levantar as nossas vozes somos tachadas de loucas, desequilibradas. Surgem perguntas: você está “naqueles dias”? “Você está com algum problema”? Sim, não é evidente que estamos com um problema? Não estamos sendo respeitadas! 

Porém, voltando ao fato citado de que mulheres não confiam seus trabalhos para outras mulheres avaliarem, o que se vê é que elas disputam espaço entre si. Dentro de departamentos de universidades acontecem brigas inimagináveis entre mulheres. Como se o brilho de uma fosse ofuscar o de outra. Como se só houvesse lugar para uma. Em qualquer meio, mulheres são as maiores vítimas de boatos, nem Marie Curie, uma das maiores cientistas de todos os tempos – primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e a única pessoa a ganhar dois prêmios em áreas distintas – escapou disso! Aliás não sei se você sabe, mas desde 1901, 97% dos ganhadores de prêmios Nobel de ciências foram homens, sendo que em 2016 (sim, ano passado – tão recente!) nenhuma mulher estava entre os 11 ganhadores.


Claro que lá no início onde eu disse que machismo e feminismo não existem estava usando de ironia, assim como em muitas passagens do texto em que falo que tudo é muito natural. O que vejo é que além de seguirmos travando luta contra todo esse sistema desigual em que estamos inseridas, tem muitas coisas que nós podemos fazer a fim de aumentar a representatividade. Como escolher outras mulheres para avaliar nossos trabalhos, para serem nossas bancas, exaltarmos mais o brilhantismo de outras mulheres nas mais diversas áreas, promover grupos de discussão entre mulheres, ou seja dar voz e ouvidos a outras mulheres. E nos policiarmos – até que se torne “natural como a luz do dia” – para deixarmos de reproduzir discurso machista. E aí que entra a sororidade.

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Pra quem quiser ler mais:



Luciana escreve (ou deveria escrever) às terças e coincidentemente terminou esse texto hoje, véspera do dia 08.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Gente é pra brilhar

Li ontem o seguinte texto, que me inspirou a voltar a escrever aqui, depois de tanto tempo, tantas reviravoltas e mudanças ocorridas na minha vida, de meados de 2016 pra cá. Processos profundos de mudança, desapego, quebras, lutos, recomeços, ressignificações... Quem sabe vire um texto publicado... quem sabe vire um texto para guardar no arquivo pessoal, como tantos outros ensaios que andei fazendo nesse período de escassez textual por aqui... Quem sabe seja necessário um bocadinho mais de coragem e reconhecimento desse poder pessoal, que logo falo... Bom, quem sabe?! Com certeza, eu!!! Rsrsrsr... Mas deixemos tudo isso para uma outra história…. Segue o texto inspiração, da Alana Trauczynski:

“Assumir o seu poder é uma bênção para você, mas um terror para todos os que te rodeiam, porque passa a ser muito desconfortável estar ao lado de alguém que se permite, que se acha merecedor, que se abre para a abundância do universo. \"Como assim alguém que é igualzinho a mim, um ser humano cheio de falhas, se permitindo tudo isso?\" Ao invés deste pensamento escasso, que tal se permitir também? Você também merece. Só falta constatar isso. Não é preciso ser perfeito para ser inspirador, para fazer sucesso, para ser rico, fabuloso e maravilhoso... É só se dar permissão, mesmo com todos os seus defeitos. O universo vai dizer: ufa, mais um que se libertou dessa nóia... Aleluiaaaa!”
Eu escolhi e decidi ser livre.
Decidi ser livre, com todas as minhas virtudes e potencialidades, assim como com minhas vulnerabilidades e “pontos de melhoria”, como dizem no coaching.
E você, escolhe o que??!!
Está pronto para "desbloquear a abundância e seu poder pessoal"?!
Esse é o nome do curso que estou fazendo com a querida e iluminada terapeuta Ariana.Schlosser, que trabalha com a técnica da EFT. Esse curso  tem girado, a cada módulo, chaves importantes dentro de mim, quebrando várias crenças e padrões que limitavam todo meu potencial, até então contido e engavetado, por vários medos e "dedos". Motivos e votos secretos que escondemos láaaaaa no nosso inconsciente, que nos tornam nossos próprios sabotadores e algozes... Aos poucos vou desbloqueando, mas ainda tem muito chão. É um caminho profundo, essencialmente interno, de autoconhecimento. Mas toda caminhada é feita passo a passo. 
E como diz Caetano, "gente é pra brilhar". Então, o convite é: bora brilhar, minha gente!!!!
Bora ser feliz, viver nossa missão, nossos sonhos, descobrir nosso propósito, iluminar, com nossa própria luz, esse universo rico e abundante!
Bora, que a gente pode, bora, que a gente merece, bora, que a gente decide! Só bora!!!!!!
Sem medo, sem desculpas, sem vitimismo, sem procrastinação, sem auto-sabotagem. Toma as rédeas da sua vida e vai... vai ser feliz!!! Liberte-se, o mundo é todo seu!!!! 

Gabriela faz terapia, tem participado de cursos sobre desenvolvimento humano, autoconhecimento, faz coaching, medita (com muuuito esforço, pelo menos 7 minutos, e quando dá), faz a p.. toda, mas não perde essa mania de Pollyanna e de otimista crônica... rsrsrsrs... Mas como a ideia é aceitar as dores e delícias de ser o que é, está cada vez mais tranquila e assumida quanto a isso.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sobre 2016

Escutamos das pessoas que 2016 foi um ano pesado. E como concordo com essa ideia.
2016 foi o ano em que a música perdeu seu ídolo David Bowie, em que o esporte perdeu o lendário lutador Muhammad Ali e a nossa queridíssima Chapecoense, em que terremotos e furacões ceifaram vidas na Itália, no Equador, no Haiti. Com tristeza vimos notícias de atentados na Costa do Marfim, na Bélgica, no Paquistão, na Turquia, no Iraque, no Afeganistão.

Derramamos muitas lágrimas pela Síria, acompanhando nos noticiários o drama de Aleppo.
Em 2016 vimos amigos e conhecidos perderem o emprego, empresas fecharem suas portas definitivamente por falta de recursos. Vimos amigos perderem parentes, vimos a nós mesmos perdermos a esperança (como se fôssemos espectadores de nossa própria vida, olhando-nos de fora, perplexos).

2016 foi o ano da dor. Da incredulidade. De descobrir dentro de nós forças que não sabíamos possuir, para só então, em meio a esse caos, continuar.
Cuba “perdeu” Fidel. Os Estados Unidos “ganharam” o Trump. Uma questão de ponto de vista? Talvez.

A primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil foi também a segunda pessoa a sofrer um impeachment neste solo. Por algum  tempo pairou no ar a expectativa de que as coisas iriam ficar bem. Não ficaram. O Brasil “ganhou” o Temer. O Temer não ganhou o Brasil.

O Rio Grande do Sul acompanha atônito as manobras de seu governo em uma tentativa de sair da crise. Nada parece dar certo. Os servidores públicos (me incluo nessa categoria) tiveram o ano mais complicado dos últimos tempos. Salários parcelados e aquela novela que todos já conhecem. Os noticiários divulgaram fortemente. De nada adiantou. Terminamos o ano recebendo uma parcela (a 1º de 12) do nosso 13º salário.

Mas sabem, andei pensando. O que nós não podemos é perder a esperança de dias melhores e temos aí uma virada de ano que irá acontecer. Aquele momento mágico em que a gente olha para o céu iluminado pelos fogos de artifício e sente dentro de nós que tudo vai ficar bem. Depositamos todas as nossas fichas no ano que se inicia e não poderia ser diferente. Precisamos acreditar que dias melhores virão. É o que desejo para mim, é o que desejo para você. Às 23:59h do dia 31/12/2016 eu olharei para o alto e direi: “Já vai tarde, 2016. Seja bem-vindo 2017. Por favor, mais do que não nos decepcionar, nos surpreenda.”

Andri escreve às sextas-feiras e está feliz que 2016 está chegando ao fim. Parece ter durado uma década, ao invés de um ano.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

2017 seu lindo!


Fim de ano, chegando. Todo mundo doido para sair de férias e esquecer um pouco como 2016 foi pesado. Pra gastar o décimo em presentes e festas. Tantos memes sobre o ano que parece não ter fim! O melhor deles levantava a possibilidade de o show do Roberto Carlos ser cancelado e 2016 se tornar infinito, pois o ano nunca acaba sem o show do Roberto Carlos!
Impressionante mesmo é a capacidade do brasileiro de fazer piada de tudo, na hora, 100% online. Se por um lado isso garante um sorriso no rosto e a capacidade de seguir em frente, por outro nos coloca na eterna posição de espectadores. A reação do povo é fazer piada e tocar em frente, num conformismo disfarçado de otimismo. Não levar as coisas a sério, não assumir o protagonismo de sua vida (em diversas esferas) abre todo o espaço para que outros (no caso, o Governo) tome todas as decisões.
Será que a gente acha um caminho do meio? Será que a gente consegue aplicar toda essa energia e criatividade em fazer um país melhor? Vocês conseguem imaginar?


Renata também está esperando para que o ano acabe, para rever sua família, para descansar. E se 2017 puder trazer algo de diferente, ela espera que sejam novas posturas, mais maduras e propositivas. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Cabo de guerra


Após muito, muito tempo ausente por aqui, embora vários projetos de textos tenham sido engavetados, hoje resolvi quebrar meu silêncio para um breve desabafo. Passeando pelas redes sociais hoje, constatei um fato que me deixou um tanto quanto curiosa.. Chega até a ser cômico, se não fosse trágico:


Todo mundo (ou quase todos) insatisfeitos com os rumos da política brasileira, mas quando possuem oportunidade de ir às ruas, se unir e protestar, alguns ainda ficam limitados aos rótulos de "coxinhas" e "mortadelas", como se tudo não passasse de uma briga de torcidas (ou de comidas! Haha). E enquanto o povo fica se degladiando entre si, eles estão lá, os homens de gravata, verdes, azuis e vermelhos, sambando na nossa cara. Quem sabe um dia, quando o ideal for único, e não esse cabo de guerra que se resumiu o país, o Brasil consiga sair desse buraco. Enquanto isso, continuo com certa preguiça de comentários extremistas... Não sei de muita coisa, mas tenho a certeza de que eu e você somos mais do que qualquer rótulo ou convenção. Prefiro ficar de olho aberto, manter o pensamento fora da caixa, e andar pra frente, porque pra trás não dá mais. 


Gabriela sempre foi sonhadora, otimista e esperançosa, mas talvez, com o avançar da idade, tenha se tornado mais prática, e tem preferido fazer planos para ir embora para Passárgada!

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Sobre perspectiva e solidariedade

Há muito tempo sem aparecer por aqui, ontem eu decidi que escreveria. Não que isso seja um sacrifício! Eu adoro e sinto falta de escrever. Mas não estava priorizando e isso estava me deixando chateada. 

Enfim, decidi escrever e comecei a pensar sobre o tema. Tantas coisas acontecendo, na minha vida pessoal e em tantos outros aspectos. Podia escrever sobre tantos pequenos e grandes dramas (que convenhamos, em 2016 estão sendo ofertados em abundância!).
Aí me deparo pela manhã com a notícia do trágico acidente aéreo que vitimou a maior parte da equipe do Chapecoense e outras pessoas da imprensa e da tripulação. Fico em choque.

Isso coloca um pouco de perspectiva no nosso olhar.

Aquilo que estressava e preocupava tanto parece tão bobo.
O dia passa e as notícias não param. Falam sobre possíveis causas, sobre o histórico do time. Mas quando falam sobre as pessoas, sobre os seus sonhos, as suas famílias, é que o bicho pega. 
E das notícias que vi até agora, as que mais me tiraram lágrimas dos olhos (estado eterno de TPM, sorry) foram as manifestações de solidariedade, as homenagens e orações. Depois de meses de rivalidade (ridícula e desnecessária) entre o próprio povo brasileiro, em que cada comentário poderia vir respondido com um rótulo e uma resposta pronta, ver de novo a solidariedade e um pouco do espírito esportivo foi um acalento em meio a tanta tragédia. Claro que não são todos, como sempre os espíritos de porco aparecem, mas os espíritos bons também estão em destaque.


Deixo aqui meu respeito às vítimas, suas famílias e amigos. Impossível explicar, muito difícil de aceitar, mas que consigamos tirar alguma lição e continuar aprendendo com esses que já deram bons exemplos nas suas vidas e carreiras.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

De repente

De repente você olha pela janela e vê que não é mais inverno, raios de sol brilham lá fora e aquecem a sua alma.
De repente você vê que aquilo que parecia querer te devorar outrora, hoje já não tem mais valor. O monstro que crescera tomando as rédeas de sua vida e provocando tanta dor, calou-se, encolheu-se.
É assim mesmo a dor. Ela desatina, embaraça os pensamentos, faz os nossos dias parecerem intransponíveis, o ar fica escasso, levantar da cama de manhã parece o fardo mais difícil que se pode carregar. Mas quando você vai ver, ela já foi embora e o que sobra é apenas o aprendizado que aquele duro sentimento trouxe consigo.
E viver não é mesmo isso? Esse aprendizado à duras penas? Penso que sim. 
É pouco provável que você tenha aprendido a andar de bicicleta sem antes ralar os joelhos ou tenha aprendido como criar um filho sem chorar de desespero no começo. Aprender requer tempo e sabedoria. Sabedoria para aceitar que não controlamos tudo, que não nascemos sabendo. O ser humano é assim mesmo. Quer ter o controle de sua vida o tempo todo, mas a melhor sensação é se deixar levar e ser surpreendido. 
Quem sabe ali, em uma dessas esquinas da vida você não topa com uma surpresa que pode trazer um novo colorido aos seus dias? 
De repente.. Assim sem querer... 

Andri escreve às sextas-feiras e adora os "de repentes" da vida

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conviver simplesmente

Viver simplesmente ou simplesmente viver. Conviver. Já disse a fantástica Elke Maravilha, “Crianças, conviver é o grande barato da vida, aproveitem e convivam”. Conviver simplesmente, ou de forma simples. Simplificar relações. Conviver saudavelmente. Mas como? 

E o processo é doloroso? Demorado? Torna-se rotineiro ou é necessária estar sempre alerta?

Afastar relações danosas, neutralizar pessoas conflituosas, trazer para junto apenas quem nos faz bem e a quem nós fazemos bem. Possível é, mas só nós mesmos podemos separar o joio do trigo e só nós seremos capazes de encontrar artifícios para simplificar as nossas relações. Mesmo que simplificar seja sinônimo de minimizar. 

Leva tempo, dá trabalho, pode doer, mas engloba-se na vida e ela, a vida, torna-se bem mais leve.

Luciana escreve as quartas e não quer mais ter um milhão de amigos.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Distorção da realidade

Estou lendo (há tempo demais) uma das biografias do Steve Jobs, mas eventualmente eu fico tão irritada com a personalidade dele que largo o livro por um tempo. Uma das coisas que têm me marcado nesse livro é o que as pessoas que conviveram com ele chama de “distorção da realidade”. Em resumo, ele tinha um jeito tão envolvente que contaminava as pessoas sob sua influência e os fazia acreditar ou concordar com coisas que, em são consciência (e longe do Steve) não concordariam. 

Isso explica muitas das suas grandes conquistas e avanços, já que ele convencia as pessoas de quem elas eram capazes de fazer o impossível e elas o faziam. 

Ultimamente ando vivendo eventos de distorção da realidade não tão produtivos. Assim como essa técnica (ou o que quer que isso seja) pode ser usada para o bem, para avançar, pode ser usada para minar relações, para o mal (ou o bem e divertimento de alguns). Fato é que, sem perceber, me vi em meio a uma situação em que já nem sabia mais em que acreditar. Tantas pessoas gastando uma energia enorme falando coisas ruins, fofocas, mentiras ou não, que quando percebi, não conseguia mais ver além disso. É muito ruim viver em estado de alerta, mas o que pode acontecer ao baixar a guarda é ainda pior. Confiar nos instintos, manter o bom senso, ouvir a si mesma. Coisa difícil em tempos de bombardeamento de fotos, mensagens, áudios, textos o tempo todo, de forma ativa e passiva. Isso me levou a buscar simplicidade também nas relações interpessoais e nas fontes de informação. Nada tão radical (ainda), mas sair de alguns grupos de WhatsApp já tem ajudado. Direcionar meu tempo e energia ao convívio de pessoas que me fazem sentir bem, também. Busco mais silêncio para poder me ouvir, para poder pensar.

Renata busca cada vez mais a simplicidade, e nesse caso para poder viver bem consigo e com os outros.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Das dores da gente

E mais um inverno chegou. Juntamente com sua chegada caíram as folhas e fez-se necessário a renovação. Está frio. Chove tanto que parece que nunca mais vai parar, o corpo fica ansiando por um raio de sol, por algo que possa aquecê-lo e lembrá-lo de que, apesar de agora parecer uma lembrança distante, sim, há calor, há amor, há aquele tipo de energia que provoca arrepio e aquece mais do que o corpo, aquece a alma da gente.

Olhando pela minha janela, para essa chuva que insiste em cair, pensei nas tempestades. Mas não desse tipo que destrói telhados de casas e arrasta o que vê pelo caminho. Falo das tempestades que nos destroem momentaneamente, corroem nossas certezas, arrancam o nosso telhado, aquele alicerce que construímos à duras penas, que levamos anos para colocá-lo no hall das coisas seguras de nossas vidas. De repente aquilo que parecia seguro, forte, firme feito rocha, se mostra frágil, pequeno, desgastado. Se, como na história dos três porquinhos, alguém viesse e soprasse essa sua "fortaleza", ela cairia.

Mas então, ela não caiu. Em alguns dias parece que tudo vai desabar, que o mundo inteiro está pesando sob suas costas, e ai, como dói. Dói lembrar, dói pensar, dói imaginar. Dói saber que a sua certeza mais profunda, não era uma certeza. Dói saber que apesar de toda a sua integridade e lealdade, você vai ser ferido. Dói saber que hoje você sente essa dor e amanhã poderá fazer com que alguém sinta. Não é porque hoje dói em você, desse jeito, agudo e intenso (mas que no fundo você sabe que será passageiro), que você pode esquecer que outras pessoas no mundo sentem, sentiram ou sentirão dores mais intensas que a sua. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é".

Quando tudo parecia perdido e irrecuperável, a centelha de luz que mora dentro de cada um de nós, acendeu. "Hey, olha eu aqui", ela parecia dizer. Seria simples ignorá-la, não dar crédito a ela, mandar que ela ficasse quietinha no seu canto, afinal, há quanto tempo você não a via mesmo? Mas nós, seres humanos, temos dessas coisas. Nós somos imprevisíveis e apesar de todos os nossos "achismos", às vezes saímos do roteiro que estabelecemos para nossas vidas. Às vezes, sabiamente, esquecemos da plateia que nos assiste, torce (para o bem e para o mal), palpita (idem), e resolvemos viver. Nessa hora o único palpite que importa é aquele que nos manda o nosso coração. E esse sim, mesmo doendo e sangrando, é sábio e sabe exatamente o que é capaz de suportar. 

Andri escreve às sextas-feiras e está vendo aos poucos a dor virar um ponto negro diluído em um imenso mar de memórias, como dizia Caio Fernando Abreu, o cara que traduz seus sentimentos
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