sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Você não tem a mínima ideia do que é ser mulher nesse mundo

Os tempos têm sido difíceis. O país parece caminhar para uma involução contra todos os exemplos vindos dos países mais desenvolvidos. Mas nada pior dos que os últimos tempos, e aí estou falando de últimas semanas mesmo. 

Temos como homem que aprova o que se vota para se tornar lei um ser corrupto até a raiz dos poucos cabelos, imoral, mentiroso, misógino, chantageador, falso religioso...poderia escrever adjetivos o dia todo aqui. E outros imorais correndo para aprovar pautas absurdas antes que esse ser caia. E como demora a cair, não é mesmo? E a pior de todas é um PL da autoria do próprio ser, que é mais um abuso, entre tantos que sofremos no decorrer da vida, contra todas as mulheres. Não existe bancada feminina? Qual o motivo desse torpor todo?


Falando em abuso, esses últimos dias ainda nos proporcionaram cortes na alma quando pudemos ler os depoimentos na campanha #primeiroassédio. Mulheres que se desnudaram até a alma para dividir o primeiro assédio do qual lembraram e que fizeram com que todas nós pudéssemos resgatar os assédios/abusos que sofremos durante a vida. Aliás, uma hashtag não é para fazer o resumo no final de uma postagem, mas é um link onde estão compiladas todas as postagens sobre aquele conteúdo – então clica lá na #primeiroassédio e você nunca mais vai ser o mesmo.

Todos os depoimentos me fizeram lembrar as vezes que queria sair com uma roupa e resolvi sucumbir ao medo e sair com algo mais discreto; 

fizeram lembrar do dia em que – com 12 ou 13 anos (a idade da Valentina – nojo) um desconhecido num ônibus intermunicipal disse que me daria um beijo ali mesmo, que a minha boca era linda, entre outras coisas que fiz questão de esquecer, e terminei a viagem na cabine do motorista, onde me senti segura – me sentindo culpada por ter conversado com um desconhecido;

fizeram lembrar quando com 14 anos um cara enfiou a mão dentro da minha bunda, quando eu entrava no prédio que eu morava – mas mais pareceu que enfiou na minha alma – embora ele tenha sentido o tamanco que eu usava fincado em seus costas por um reflexo meu, fiquei me sentindo imunda por muitos dias e achando que a culpa era minha, afinal porque uma bunda tão grande?

fizeram lembrar da noite em que o cara que eu era apaixonada e nunca tinha tido nada (aí já na faculdade) – me levou para casa após um baile de formatura (e eu tinha certeza que ele não tinha nenhum interesse por mim) – de ele ter me agarrado a ponto de arrebentar meu vestido e eu só ter escapado por ter conseguido abrir o portão e entrar correndo no meu prédio. E fiquei por muito tempo sentindo vergonha por ter sido apaixonada por uma cara desses – quem vê cara não vê tara – e culpada por ter me aproximado dele. Só o vi mais uma vez um tempo depois e senti um frio tão grande na espinha e muita náusea. Claro que nunca contei isso para ninguém, afinal acreditava que a culpa era minha; 

fizeram lembrar de quando tive que mudar de um ap que adorava por ter um vizinho stalker – antes mesmo desse termo existir – por ele me esperar todos os dias na sacada e descer as escadas “coincidentemente” na hora que eu estava subindo – por ouvir as batidas na porta para pedir algo e prender a respiração para ele não perceber que eu estava ali, mesmo sabendo que ele sabia que eu estava; 

fizeram lembrar do professor que passou um seminário inteiro olhando para a minha bunda e que parou atrás de mim no caixa eletrônico, passando a mão no meu braço para me dizer bom dia...

fizeram lembrar de todas as vezes que deixei de passar num lugar escuro e caminhei muito mais por medo; de quando tive que atravessar a rua enquanto passeava com meu cachorro; de todos os “delícia”, “gostosa”, “tesão”, “te comia todinha” e etcéteras.

E hoje me abstenho de falar dos abusos morais sofridos profissionalmente. 

Aí as pessoas (ah, as pessoas!) protestaram contra o tema de redação do ENEM, o qual foi dito como feminista não sendo, e esquerdista, como se não fosse um tema de interesse geral. Como a persistência da violência contra a mulher poderia não ser um tema de extrema relevância? Sobretudo quando não há nenhum viés de mudança, mas sim de piora, com o rumo que os políticos têm dado para as nossas vidas? 

Ah o ENEM, ainda nos proporcionou ler as interpretações sobre a frase legendária de Beauvoir. Tantas gritaram que nasceram mulher sim, pois nasceram com uma vagina! Não é à toa que muita gente não passa em concursos por não saber interpretar textos. Aliás, quando alguém chega para você e diz: “que bela mulher você se tornou” – você pensa logo que não, você não se tornou mulher, você já nasceu com uma vagina – ou você pensa em toda a sua trajetória de vida?

Os depoimentos do #primeiroassédio me cortaram a alma e me fizeram sentir sortuda pela violência sofrida como mulher no decorrer da minha vida tenham só marcado minha alma, vendo tantas outras que sofreram violência física e tiveram seus corpos e suas almas dilaceradas. As atitudes perante a redação do ENEM fizeram temer mais ainda por tantas mulheres abusadas, violentadas, machucadas – muitas vezes por seus próprios companheiros. As pedras atiradas no feminismo, mesmo quando não se trata dele – por homens e mulheres – me fazem perceber que não são só os homens que não fazem ideia do que é ser mulher nesse mundo, muitas mulheres também não. E que culpa é essa que a gente tanto sente?

E não, não é uma simples vagina que nos torna mulheres.

Luciana normalmente escreve as quarta e está muito contente com a mobilização feminina contra o PL5069 - está apenas começando!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Violência contra a mulher

Gente, depois de semanas sem escrever no blog, juro que não queria voltar escrevendo sobre esse assunto. Mas não tem condição de não falar sobre isso.

Vocês devem ter visto que o assunto da redação do Enem, que foi no último final de semana, foi “a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. E isso é um fato. Não é preconceito. Não é mimimi. Não é o caso de percepção ou impressão. Fato.

Se por um lado fiquei muito feliz pela escolha do tema, que teoricamente colocou 7 milhões de pessoas para pensar sobre o assunto. Mas essa felicidade se acabou no momento em que tive a (infeliz) ideia de ler os comentários das pessoas sobre a escolha do tema. E nem falo daqueles políticos babacas que usam qualquer “oportunidade” para autopromover sua babaquice, mas de gente normal (não sei se normal foi a escolha mais adequada de adjetivo). 

E o que vi foi o reforço do machismo por homens e por mulheres, o reforço de preconceitos e muita falta de informação. Muita! 

Já escrevi e já falei bastante sobre violência contra a mulher e às vezes eu desanimo de tentar sensibilizar as pessoas. Mesmo mulheres que já foram (e são) vítimas acabam aceitando a situação, e se sentindo até culpadas pela violência que sofrem. 

Vou indicar para vocês um vídeo que está sendo bastante divulgado nas redes sociais e que pode tanto servir de apoio para as vítimas como pode tentar criar um pouco mais de empatia em quem “não acredita” em violência contra a mulher: https://www.youtube.com/watch?v=0Maw7ibFhls

Renata escreve às terças e hoje não tem energia para fazer um escândalo, mas espera que todas façam!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Um quindim para finalizar um dia péssimo é quase poesia gastronômica

Mundo de mal a pior... aliás, segundo alguns aí era para ter acabado hoje, e cadê fim?! Talvez já tenha acabado e a gente que não tenha percebido. Talvez esse seja o lado B da humanidade e não nos avisaram. O que se notícia parece muito com o que ouvi falar sobre o purgatório outrora. Sim, eu estou apocalíptica desde a semana passada, como pode-se ler aqui,

E, mesmo com tantos problemas e dificuldades,  tem quem consiga piorar o dia-a-dia! Seria tão mais simples a rotina leve, já que o resto está esse caos!

Comendo o meu quindim – aquele que cura qualquer dia ruim – lembrei desse texto, o qual complemento:

Oração – Tudo o que eu desejo é que eu não seja (não venha a ser): Gente que não se arrisca. Gente que deixa de viver por medo. Gente que só fala de gente. Gente que lembra de uma história de tempos com qualquer coisa que a gente conte... e conta! Gente que a todo o tempo conta história de gente que a gente nunca conheceu... nem vai conhecer. Gente que não respeita a gente. Gente infeliz que não faz nada para deixar de sê-lo. Gente que manipula a própria situação, para não encarar o que de fato é o problema. Gente que não sabe amar e nem tenta aprender. Gente orgulhosa. Gente que buzina no trânsito. Gente irredutível. Gente que não faz nada por si. Gente que não faz nada por ninguém. Gente que desce a serra em alta velocidade. Gente negativa. Gente que se acha exemplo para tudo. Gente movida pela vaidade. Gente que dá conselho para quem não pediu, nem demonstrou precisar. Gente que não escuta a gente. Gente que não se resolve como gente. Gente proprietária da verdade. Gente que não valoriza nada. Gente que critica tudo. Gente que vive no passado. Gente raivosa. Gente que joga lixo no chão. Gente egoísta. Gente que não se gosta. Gente que sente inveja. Gente que só flutua pela vida, sem fazer diferença nenhuma. Amém.


Luciana escreve as quartas e só o que ela deseja é manter seu equilíbrio.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mundo acabando e tem quem queira impor como o outro deve viver!

Julieta não quer casar e ter filhos. Não tem nada de errado com Julieta. Ela só não quer casar e ter filhos. Ela namora com Jonas, tem um cachorro e dois gatos. Julieta é feliz. Jonas também. Os bichos dela também.
Mário é casado com Júlio. Não há nada de errado com Mário. Nem com Júlio. Mário só ama Júlio, e vice-versa. 
Josiana é espírita, embora toda a sua família seja católica. Não há nada de errado com Josiana. Ela só se identifica mais com a doutrina espírita. 
Matilde e Mariano namoram há 10 anos. Eles não pretendem se casar. Não há nada de errado com Matilde, nem com Mariano. Eles só não precisam de papéis ou bênçãos para afirmar seu amor.
Carola cria seu filho Pedrinho sozinha. Não há nada de errado com Carola. Eles só foram abandonados pelo pai do Pedrinho enquanto Carola ainda estava grávida. 
Carmem e Gérson são casados há cinco anos e estão na fila de adoção de uma menina. Não há nada de errado com Carmem, nem com Gérson. Eles só querem ser pais, independente de genes.
Maria e Janete são noivas e estão preparando seu casamento para daqui um ano. Não há nada de errado com elas. Elas só estão vivendo os preparativos para o casamento e fazendo planos de vida. Depois de dois anos de casamento, Maria vai engravidar, talvez seja inseminação artificial. Não há nada errado com Maria e Janete, elas só estão construindo uma família.
Miranda e Jorge são casados há sete anos e tem três filhos – Isabela, Clara e Bruno – não há nada de errado com eles. Eles sempre quiseram uma família grande. Agora pretendem adotar um cachorro, para ensinar sobre responsabilidade e amor para seus filhos.
Dona Marlene cria os três netos. Não há nada de errado com ela. Ela só cria os netos com muito amor desde que sua filha e o marido faleceram em um acidente de carro. 
Telma gosta de sair à noite e conhecer novas pessoas. Telma já se apaixonou por meninos e meninas. Não há nada errado com Telma. Ela só é livre e faz da vida e do corpo dela o que ela quiser. 
Laura conheceu seu namorado há um ano. Eles moram juntos há oito meses. Não há nada de errado com eles. Eles só não contam o tempo e não queriam ficar mais um longe do outro. Eles têm planos de casamento, mas não agora, qualquer hora.
Josias e Cristine se separaram, eles estavam juntos há 20 anos. Não há nada de errado com eles. Eles só se consideravam apenas melhores amigos. Cristine está apaixonada por Kléber e eles vão se casar. Não há nada de errado com Cristine. Ela só não perdeu a capacidade de amar. Ainda bem.
Tarcísio e Amélia estão comemorando 50 anos de casamento e se amam incondicionalmente. Eles têm doze filhos, quarenta e cinco netos e vem alguns bisnetos por aí. Não há nada de errado com eles. Tarcísio e Amélia só foram muito felizes com o seu amor e a grande família que ele gerou.
Judite já adotou dez cachorros e dezoito gatos, que encontrou na rua. Não há nada de errado com Judite. Ela só está tentando consertar os danos da irresponsabilidade alheia.
Inezita tem sessenta anos e nunca se casou. Não há nada de errado com Inezita. Ela só nunca se casou. Ela vive com seu cachorro Max, que já tem 14 anos.
Luigi cria seus dois filhos sozinho há alguns anos. Não há nada de errado com Luigi. Ele só é pai solteiro e não faz ideia de onde esteja a mãe dos meninos.
Marlon não fala com sua mãe há dois anos. Não há nada de errado com ele. Marlon só, após ferir e se ferir muito, considera que o afastamento também é um ato de amor.
Regiane é feminista. Não há nada de errado com ela. Regiane não é mal comida, nem neurótica. Ela é muito bem comida e super sensata. Ela só luta para que as mulheres tenham igualdade de direito com os homens. 
Edson tem trinta e oito anos e é solteiro. Não há nada de errado com Edson. Ele só quer ser solteiro.
Viviane está acima do peso há anos e vive sempre linda e sorridente. Não há nada de errado com Viviane. Ela só não precisa de padrões para ser linda e distribuir sorrisos por aí.

E são tantos exemplos que poderiam ser dados. Exemplos que são julgados a todo o momento. Querem julgar o que é família, querem julgar como as pessoas vivem, suas escolhas espirituais. Querem comandar como uma pessoa deve ser, agir, viver. E não estou falando só da maldita bancada medieval que está tentando nos conduzir para um tempo que não deveríamos voltar jamais. Estou falando do cidadão comum, que gosta de se intitular “de bem”, que com seu olhar julgatório, preconceito incutido e comentários alucinados, acha que pode dizer como alguém deve viver ou não. Essa bancada só é reflexo desse pensamento medieval que paira por aí. Talvez seja excesso de tempo livre, sei lá. 

Ao invés de se preocuparem com o policial militar que pediu para ter relações sexuais com as filhas da amante (de 4 e 14 anos) como prova de amor (essa é das últimas!). Com o Jorge Luis, pintor, que matou oito, pelo que se sabe até o momento. Com os rumos que estão tomando a política e a economia deste país. Com a Marta que “goza” da nossa cara, saindo de um partido corrupto para outro partido corrupto para acabar com a corrupção. Com o Eduardo, que embora esteja mais sujo que pau de galinheiro é uma das pessoas com mais poderes desse país. Com a DIlma Vânia que paralisada entrega o governo para não entregar o cargo. Com o policial despreparado que matou o Herinaldo Vinícius, que saiu para comprar bolinha de gude, no Caju. Com os policiais militares que colocaram uma arma na mão do Eduardo Felipe para acobertar sua execução. Com os assaltos por segundo que acontecem não só no Rio de Janeiro, mas nas cidades do interior do país, e causam danos, prejuízos e feridas. Com essa sensação de insegurança constante. Com o trânsito, que mata e (aí sim) destrói famílias. Com o Zé Mané, estagiário de educação física de uma escola de ensino fundamental do interior, que deixava o celular no banheiro dos profes filmando – sabe-se lá o que ele queria ver! – uma vez que ele estava se preparando para trabalhar com crianças! E com a cara-de-pau do Zé Mané, que após descoberto, pediu para seguir com o estágio. Com o preço da cebola, ninguém merece cebola a R$ 7,99!


Ah, também querem tirar a assistência pelo SUS  às mulheres estupradas – nesse país em que acontecem mais de 500 mil estupros por ano! – sem pílula do dia seguinte e coquetel anti-HIV – querem que a mulher crie o filho do estuprador, que eventualmente tenha AIDS. Quem sabe vão obrigar a mulher a casar com estuprador também, afinal tiveram “relações sexuais”! Não era assim antigamente? Transou tem que casar! E tem quem aplauda.

Luciana escreve as quartas e parou por aqui pois este texto está fadado a não ter fim.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Plantio

Desde que me mudei pra Bahia abri mão das diferenças entre as estações sentidas no Sul, de ter dois guarda-roupas e fazer o ritual de troca de um pelo outro (e morrer de raiva dos veranicos e friagens fora de época). Mas o fato é que o tempo e as estações continuam se sucedendo, com diferenças talvez mais sutis e de menor amplitude.
Nessa semana (amanhã, se eu conseguir postar corretamente esse texto) viveremos o equinócio de setembro, marcando o início da primavera. Nele, o dia e a noite terão durações iguais e a partir daí, no Hemisfério sul, os dias vão lentamente se tornando mais longos (ebaaa \o/).
Numa época em que contamos o tempo por minutos (5 minutos de soneca, em sucessões intermináveis), em que o calendário do próximo semestre está sempre lotado, corremos o risco de nos desconectarmos do que deveria ser nossa base, nossa raiz. Os ciclos da lua, as estações, até mesmo a hora do nascer e do por do sol e da lua. Essas eram as referências de tempo de nossos antepassados e elas seguem se sucedendo mesmo que a gente não agende no nosso calendário. Pores do sol fantásticos continuam acontecendo mesmo que não sejam compartilhados no Instagram e as estações continuam se sucedendo mesmo que a gente não precise de outro guarda-roupa. Ciclos ocorrem e se sucedem, a gente querendo ou não. E participar ativamente, conectando-se, é opcional.

Podemos pensar no equinócio como a época de florescer, de germinar com cuidado e carinho nossos sentimentos, ideias e projetos, para que a colheita seja frutífera. Não custa lembrar que a gente colhe o que planta, e planta o que escolhe.


Renata deseja um feliz equinócio e um sábio plantio!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Know-how em relacionamentos e descoberta da alma gêmea

A grande vantagem de já ter passado dos trinta é o know-how em relacionamentos interpessoais - amorosos ou não – o que faz com que percebamos que nossa alma gêmea existe sim e é aquela que vemos no espelho. São tantos experimentos, tantos erros, tantos acertos, pouco êxito, que poderíamos ter tese escrita e título de doutor em relacionamentos!


Aos vinte e poucos quando um relacionamento acaba, a vida quase acaba junto e, depois de um tempo, essas lembranças - que na época causaram até dor física – nos fazem rir. Ver meninas quase morrendo por causa de fins de relacionamento chega a dar uma certa impaciência, mas aí lembramos que temos vários desses momentos “sofrimentos-extremo-minha-vida-não-tem-mais-sentido” no currículo. E aqui, desculpe-me caro leitor, mas vem um clichê: são as experiências e até mesmo os tombos – que muitas vezes servem para acordarmos - que fazem com que cresçamos e, além disso, nos enxerguemos como protagonistas das nossas próprias vidas e não mais coadjuvantes. 

Crescemos com a ideia de que somente par é bom, que só somos completos quando em um relacionamento e ainda existem as malditas comédias românticas para reiterar esse conceito! Sério, esses filmes deveriam ser proibidos! Ainda, tem aquela velha mania de contar o tempo e desejos de eternidade! Dá para parar de contar o tempo, "fazendo o favor"? Já falei sobre isso aqui.

As pessoas passam na vida umas das outras com um propósito, não pode ser diferente. Por isso há relacionamentos curtos importantes. Há amizades relâmpago. Tem quem nos cause saudade mesmo que com um único encontro. E há também os relacionamentos longos que acabam. O que importa é o que fica, ou melhor, o que vai, o que vai para a bagagem da vida. 

E só após aprendermos a amar e respeitar aquela imagem no espelho – não entenda mal! Não estamos falando sobre a madrasta da Branca de Neve! – e saber ser feliz enquanto ímpar, seremos capazes de amar verdadeiramente outrem – seja um par, um amigo, cachorro, gato, papagaio. 


Mas é incrível, por tudo o que trazemos desde a infância, é muito difícil ser a prioridade em nossa própria vida. Temos que desaprender tudo que nos ensinaram e isso exige treino – ou terapia – constante.

Luciana escreve as quarta, mas deu uma falhada, pois esse mundo naufragante a deixou sem ar e sem voz. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Duelo de incoerências

Estou tentando escrever e, perturbada pelos meus cachorros, que se amam e se odeiam, só consigo lembrar da dualidade que reina nos últimos meses. Eles rolam no chão com sons de fúria e dentes – muito – para fora, mesmo o que tem cara de bicho de pelúcia. Em segundos eles estão rolando no chão sem nenhum som, sem dentes de fora, e com jeito de afofamento recíproco. Bipolaridade?


Desde o ano passado paira no ar esse duelo, esses dois lados que se formaram e nos quais não se vê nenhum cabimento. A irracionalidade existente é tão grande, que penso que racionais mesmo são os dois cachorros, que seguem rolando no chão.

E o que mais impressiona é que todos estão certos e que a sua verdade é a mais certa e que a sua certeza é a mais verdadeira entre todas as certezas verdadeiras do universo. E o povo se degladia.

Por que a minha verdade é mais verdadeira que a verdade alheia? Por que a minha certeza é a mais certa? Por que eu não tenho dúvidas? Por que a minha religião é mais plena do que a espiritualidade de outro? Por que a minha convicção é a mais convicta? Por que um é mais corrupto que o outro se o outro também é corrupto? Por que deixar a política – esse câncer - me afastar de pessoas? Por que disseminar o que não está provado e esconder o que está? Por que alguns acham que podem ridicularizar outras pessoas, quaisquer que sejam? Por que permitimos que nos domestiquem? Por que ser politicamente correto virou sinônimo de burrice? Por que não ler e se informar sobre o que “não interessa”. Por que protestar se nos convenceram que tem que ser pacificamente? Por que não esquecer a política e abrir um livro? Por que não desligar a TV e ir passear com os cachorros? Por que não cancelar a assinatura da revista que desvirtuou nos últimos anos? Por que não sair da rede social e passar mais tempo na cama não fazendo nada, ou fazendo? 

Por que não paramos, simplesmente, porque está feio?

(no vídeo, os tais cães mais racionais que nós!)

Luciana escreve às quartas e não concorda com as manifestações políticas, da forma que estão ocorrendo, seja da oposição, seja dos simpatizantes do governo. Se ruim está – e está – porque não unir forças, pensar no bem comum e fazer algo de fato? 



terça-feira, 18 de agosto de 2015

O país do isso ou aquilo

Impossível não falar da situação política (e suas implicações sociais, econômicas a ambientais) pela qual nosso país está passando. Mas vejo com muita tristeza que, quando alguém se manifesta, há muito extremismo, falta de informação e agressividade. No país da piada fácil e com qualquer tema, vem imperando o clima de gincana, de “minha equipe ganha da tua” sem nem considerar o prêmio.

Vejam, não temos várias equipes...o prêmio, seja qual for, vai valer para todos. Enquanto uns usam seu tempo criando piadas e memes (até engraçados, vá) expressando fortes opiniões (em geral embasadas em pouca ou nenhuma informação) cria-se esse clima de isso ou aquilo no país. Se é a favor de um aspecto tem que ser contra todos os outros. Se critica alguma coisa “tem que tirar todos os benefícios”. De radicalismo em radicalismo, de preconceito em preconceito, de xingamento em xingamento, o país se separa em dois “times” nessa gincana organizada. Repetindo bordões totalmente sem fundamento e que acabam por se tornar verdades que ninguém questiona. E enquanto a gente se ocupa dessas picuinhas, em achar erro de português numa faixa pra desmoralizar toda uma parte da população; ou em criticar programas sociais porque ouviu um caso da prima da amiga da vizinha do tio e sai repetindo feito papagaio, adivinhem: tem gente fazendo um serviço sério em benefício próprio. A corrupção, que não é novidade para ninguém, segue rolando solta. A área ambiental sendo desprezada: estão loteando e vendendo o país, desafetando áreas protegidas e permitindo empreendimentos altamente impactantes e de necessidade questionável. A educação segue sofrendo; para que serve um povo educado, afinal?

A gente devia superar a síndrome de Louro José (para evitar que os defensores do personagem pulem aqui = fazer igual papagaio e repetir o que lhe é dito) e deixar o clima de gincana de lado. Ler, discutir e exigir direitos que são pra todos, independentemente de quanto ganha, de para quem vota e de como escreve. Estamos, nós mesmos, criando um circo e comprando o pão com um dinheiro cada vez mais suado.

Renata fica chateada quando vê a leviandade com a qual são tratadas questões sérias no nosso país e desconfia que não aprendemos nada nas nossas aulas de história.


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Uma pequena homenagem à uma grande mulher

“Compreendi, então, que a vida não é uma sonata que, para realizar a sua beleza, tem de ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de mini-sonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira.” (Rubem Alves – sempre ele!)

Como manter a escrita em dia nas quartas, se se está vivendo, correndo, trabalhando, amando, cuidando?

Quarta-feira estranha, de tantos sentimentos misturados! A alegria de matar a saudade de estar na frente de uma platéia de alunos. A satisfação de falar sobre o trabalho que tanto me satisfaz. A felicidade de receber abraços apertados muito especiais de saudades. A melancolia de estar longe, mesmo que por poucas horas, dos meus amores. A tristeza.

Tive a notícia da morte da pessoa que me fez querer ser quem eu sou. A professora sempre alegre e cativante que fez com que eu descobrisse que gostava da Farmácia, só lá no sexto semestre. Que fez com que eu quisesse procurar estudar Química Medicinal. Foi minha banca de defesa de Mestrado, e não podia ser outra. Um ser humano especial, com certeza. Acompanhava à distância, sua luta, sua caminhada, sua alegria, mesmo na adversidade. Sempre com palavras sábias. Disse a ela há pouco tempo: aprendo sempre contigo. Aprendi na disciplina de Química Farmacêutica. Aprendi na disciplina da Vida. Vai em paz, Profe Marga! Você é show!



Luciana escreve as quartas quando dá, e é muito grata pelas pessoas que passam em sua vida e provocam qualquer tipo de mudança.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

"Não se cresce sem sentir"

“Não se é grande sem crescer
Não se cresce sem sentir
Nada existe sem porquê, portanto”
(Móveis Coloniais de Acaju em “Café com Leite”)

Pensar sem indução
Falar com informação
Viver com satisfação
Agir com retidão
Crescer com ambição
Cuidar com atenção
Enxergar com amplidão
Sofrer com evolução
Silenciar em antemão
Desapegar sem apreensão
Errar sem ilusão
Sorrir sem opção
Beijar com devoção
Abraçar com afeição
Chorar não é infração
Desculpar em progressão
Crer sem banalização
Ter sem ostentação
Postar sem encheção
Pausar em contemplação
Tolerar sem distinção
Desenvolver sem infração
Corrigir sem vexação
Trabalhar com moderação
Fantasiar como sugestão
Amar em profusão
Sentir sem contenção


Luciana deveria escrever as quartas. Daqui a pouco ela volta pra órbita.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Uma carta

Eu ando pensando muito em ti nos últimos dias. Ando mesmo mais introspectiva que o normal. Mais emotiva que o normal. E mais saudosa que o normal. Acredito que tudo isso acaba levando meu pensamento à nossa relação, mesmo que no momento (e em nenhum outro) eu não queira colocar muita racionalidade nisso. Pode ser medo, pode ser medo.

Queria tanto saber como (e se) pensa em nós. Queria tanto saber como se sente quando nos vemos e quando (não) nos falamos. Queria, mais que tudo, saber como eu me sinto nessas situações. Queria pegar tua mão, caminhar sem pressa, e te mostrar todas as lembranças que tenho da gente e que guardo com carinho, numa coleção preciosa mas não muito visitada. As lembranças são multifacetadas e facilmente moldáveis. O que vejo e o que guardo pertence somente a mim, e cada um tem sua própria versão, parcial e moldada, da mesma lembrança. Queria poder compartilhar contigo as minhas, e conhecer as tuas. Compartilhamos tanta tanta tanta coisa, mas às vezes parece que não...

Queria te contar dos meus medos, dos meus sonhos, e sentir que meus segredos estão seguros e não são mais só meus. Que o peso que insiste em se depositar nas minhas costas não é tão pesado e que não estou tão sozinha. Queria te ajudar, também, mas não sei o que pesa nas tuas costas. Não sei nada dos teus desejos, dos teus planos (dos íntimos, não dos que fica falando para quem quiser ouvir). Não sei o que te tira o sono. E nem o que faz sentires renovada a vida dentro de ti.

Eu queria. Eu quero. 

Mas acho que não queres. Ainda não.


Renata anda pensativa e escrevendo cartas nem sempre imaginárias.

domingo, 26 de julho de 2015

Aquela que não pode ser (nem ter)

Acalma esse seu coração garota.

Vá dormir.

Ele não vai ligar.

É madrugada de sábado

e ele está com ela.

Enquanto você anseia

pelo corpo dele junto ao seu

ela se contorce de prazer em seus braços.

Enquanto você espera acordada

por algumas migalhas de atenção

ela dorme calmamente

cabeça recostada em seu peito.

Vá dormir garota.

Esqueça

ao menos por esta noite

todos os sorrisos

todos os segredos

toda a exposição de sentimentos.

Vá dormir garota.

Independentemente

do que você sinta

do que você esteja disposta a fazer

ou do que esteja disposta a abrir mão

para tê-lo consigo

é com ela que ele está

é com ela que ele se preocupa

é ela a dona de seu coração.

Vá dormir garota.

Coloque-se

no seu devido lugar.

Lembre-se que você é

apenas

o passatempo

das madrugadas insones.

Vá dormir garota

e adormeça também

esse sentimento crescente

que lhe consome o peito

e transborda...

Déia escreve aos domingos e se pergunta quantas pessoas se sentem como aquelas que jamais poderão ser (ou ter)...

P.S.: Esta poesia está originalmente publicada no site Sapiens Marginalis, do qual sou colaboradora.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sem pulso

"O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
Ainda pulsa
Ainda é pouco
Assim..." (Arnaldo Antunes)


Bergamota descascada
Morte por meningite
Collor em loop infinito
Sem lactose
Casa da dinda
Falta de memória
Lamborghini
Hipocrisia
E o pulso...

Plástico bolha que não estoura
Corrupção
Cunha
Sem glúten
Autoritarismo
Caxumba
Sem representatividade
Fobia
E o pulso...

Cães de sapato
Fome em 2015
Comentários de notícias
Rancor
Déficit de butiás
Constantino
Oportunismo
Lobotomia
E o pulso...

Grades nas janelas
Intolerância
Extremismo
Injustiça
Olho por olho
Discurso de ódio
Massa de manobra
Cegueira coletiva
E o pulso será que pulsa?




Luciana escreve as quartas e usou o exemplo das famigeradas bergamotas peladas apenas como um exemplo de coisas que perderam a graça, tal como o plástico bolha que não estoura.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Abandono

Há cerca de duas semanas adotamos uma cachorrinha. Tá, quem a viu já viu que de “inha” não tem nada, é uma bela de uma fillhotona. Embora já tivéssemos um cachorro, vimos a necessidade dele ter uma companhia e dessa necessidade a possibilidade de fazer o bem para um serzinho. Não é o primeiro cão que adoto, quem me conhece sabe que tenho várias histórias em relação a isso. Mas o ato de adotar vem de um abandono e é sobre isso que quero falar hoje.

Toda vez que a Curie vem com todo o seu tamanho e amor para cima de mim exigindo carinho e impondo seu corpinho, não tão inho assim, eu fico imaginando como alguém pode abandonar um ser que parece ter sido tão amado? Ela visivelmente é uma cachorrinha que ganhou muito carinho, o que a gente nota pelas suas atitudes. Certamente dormia com alguém quentinha à noite, pois é o que ela tenta todas as noites por aqui. E ela é muito esperta e muito fácil de educar também, o que faz eu me questionar mais ainda sobre isso.


Mas o ser humano tem uma capacidade muito grande de abandono, seja de afetos, seja de projetos, seja de metas, seja de ideais, seja de si mesmo.

Um ser humano que abandona suas crianças, porque não abandonaria um cãozinho?

Um ser humano que abandona seus amores, sem nem ao menos lutar por eles.

Um ser humano que abandona sua consciência e aplaude quem lincha outro ser humano até a morte.

Um ser humano que abandona seus amigos, e às vezes nem percebe isso.

Um ser humano que abandona sua ética, e passa por cima dos outros.

Um ser humano que abandona a si mesmo, e quando percebe já não é mais quem gostaria de ser.

Um ser humano que só não parece capaz de abandonar o material, seus preconceitos, sua ira, seu egoismo.

Enfim, abandonos à parte, esta família está muito contente – embora ainda em adaptação – com a nova integrante canina Curie, sobretudo o pequeno Bob Dylan, que agora tem que o “afofe” todas as horas do dia.

Luciana é um ser humano que escreve as quartas e já cometeu alguns abandonos na vida. Por alguns lutou antes de desistir, por outros nem tanto.

Teletransporte

Enquanto a Lu queria ter superpoderes, e viu que pode fazer coisas incríveis mesmo sem eles, eu queria ter um único superpoder: teletransporte. Ou viajar muito rápido como o Flash, e continuar com o cabelo minimamente arrumado.

Há algum tempo vi uma frase que gostei muito, e uso como foto de capa no meu perfil do Facebook, que diz: estar perto não é físico. Isso porque tenho sentido muitas saudades de pessoas que não estão fisicamente próximas. Estão bem próximas de outras formas, umas graças às maravilhas da tecnologia, que nos permitem ver, ouvir e trocar palavras, outras muito mais pelo pensamento e pela sintonia que transcende tempo e distância.


Troca de palavras, piadas, fotos de caretas e de bebês fofos que crescem rápido demais, do corte novo de cabelo e do por do sol, frases tiradas de livros e que fizeram alguém querido lembrar da gente. Troca de receitas, de dúvidas, de conselhos e de tutoriais. Tudo isso a gente consegue fazer tendo uma conexão, um smartphone e amor. 

Mas às vezes não chega. Às vezes o cheiro do bolo, a voz perto do ouvido, o olho no olho, o colo e o cafuné, o abraço apertado que às vezes tira lágrimas sei-lá-porque faz falta. E nessas horas, estar perto é físico. É tocar. É estar perto mesmo sem falar. É rir das piadas internas e das lembranças que ninguém mais compartilha. É brincar sem pressa, sem contar os minutos ou depender de wi-fi.

E nessas horas eu queria muito poder me teletransportar. Dar um abraço apertado, dar e receber colo e passar mais tempo com gente que é tão querida mas que está tão longe. Fisicamente longe.

Renata está perto de tanta gente que está longe, mas às vezes não é suficiente.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Deus me livre de ser como você

Você aí que é intolerante, que nem pensa antes de soltar um palavrão ou chamar os outros de imbecil - boçal é um adjetivo bem usado, retardado também.
Você aí que combina coisas só para apagar o fogo. No calor do momento. Que não honra seus compromissos - uma das coisas que ainda admiro na minha terra é que “falou tá falado”, sem precisar de papel ou autenticação em cartório – “no fio do bigode” mesmo.


Você aí que conta histórias de pessoas que não conhecemos e nem queremos conhecer - sabe aquelas pessoas que uma palavra é um estopim para uma história que não queremos ouvir?
Você aí que é injusto, que não ouve as versões de um fato e tira suas conclusões, colocando culpas onde resolveu que elas cabem.
Você aí que fala de pessoas, julga, julga, julga. E não percebe que as pessoas são bem mais interessantes do que o que você concluiu delas!
Você aí que é irredutível, que jamais muda de opinião e que não se interessa por outras opiniões, afinal já tem a sua! Existem tantas opiniões ricas por aí e você perdendo!
Você aí que não dá valor a quem te estende a mão. Que não é grato, nem a sua vida, nem a quem passa nela.
Você aí que não admite a espiritualidade alheia, que julga sua crença superior a qualquer outra.
Você aí que se acha superior pela sua sexualidade. Que não aceita a diversidade. Que curte “Orgulho de ser qualquer coisa”.
Você que não enxerga o que importa atrás das cores por cima de uma foto.
Você que não se arrisca, nem em argumentos. Que prefere bancar papagaio.
Você aí que sente ódio e rancor e propaga.
Você aí que nem sabe o que é amor e pensa que pode decidir até quem o outro pode ou não amar.
Você aí que não escuta, não lê, mas fala, fala, fala e escreve.
Você aí que só se preocupa com o perímetro ao redor do seu próprio umbigo.


Você aí que não percebe que para fazer algo não é necessário acabar com a fome da África – se tirar os olhos do perímetro do umbigo vai ver que muita gente precisa de ajuda logo aí ao lado. Bora?
Você aí que acredita que uma causa é mais importante que a outra, como se não pudéssemos lutar por mais de uma ao mesmo tempo. É só se mexer da cadeira para começar a fazer algo acontecer. Um simples movimento é necessário – e isso eu lhe asseguro, não é o movimento de desqualificar a causa alheia! Isso só é gasto de energia na direção contrária – mau uso de energia. Dê as pessoas a licença de lutar pelo que elas quiserem, "fazendo o favor"!
Você aí que é machista, racista, homofóbico, mas não admite, por que é feio.

Luciana escreve as quartas e às vezes duvida da inteligência das pessoas. Aí ela acaba duvidando da sua própria inteligência, pois não consegue entender o pensamento de algumas pessoas. Conclusão: o ser humano, onde se inclui, é burro pra caramba!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O que configura uma família?

Um pai, uma mãe, um, dois, três filhos?

Uma mulher, três filhos, um cachorro?

Dois pais, quatro filhos, dois gatos?

Duas mães, dois filhos, cachorro, gato, galinha?

Um homem, uma mulher, uma cunhada, um amigo agregado, dois cachorros?

Um pai, dois filhos?

Uma tia, um sobrinho?

Uma tia, um tio, dois sobrinhos?

Uma avó, três netos, um gato, uma tartaruga?

Genes em comum?


Família não deveria ser algo mais do que uma estrutura imposta? 

Tipo qualquer relação de afeto, cuidado, proteção? 

Ouvi dizer que tem quem seja contra a adoção - até por famílias ditas “convencionais”.

Por que uma criança seria mais feliz em um orfanato ou na rua do que adotada? 

Ah, mas como levar para casa alguém com genes diferentes dos nossos? Mas porque os nossos genes são tão melhores do que outros? 

A gente casa com pessoas com genes totalmente diferentes dos nossos e já bem criadas! Porque não podemos ter filhos com genes diferentes dos nossos, se nós mesmos iremos criá-los? Nem tudo é genético, tudo o que somos aprendemos com a nossa família, que pode ser pai e mãe, dois pais, duas mães, uma tia, uma avó, irmãos, amigos, conhecidos especiais – tanto que filhos adotivos muitas vezes são “a cara dos pais”.

Por outro lado, no Brasil há mais pretendentes à adoção do que crianças aptas para adotar, e mesmo assim existem muitas crianças aguardando adoção! – principalmente porque os pretendentes têm preferências quanto ao perfil da criança! Sei que devem ser tomado muitos cuidados, mas parece que o pensamento dos pretendentes (e da justiça) também precisa evoluir.

Luciana desde criança pensou que se tivesse filhos seriam adotados, e não consegue entender quem seja contra esse ato. Certa vez até acabou um quase noivado por isso, embora não descartasse a hipótese de também gerar filhos.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Essa fome que não passa

Uma mensagem desinteressada no Whatsapp, enviada num momento de ócio ou naquela hora do café, em que estava à toa. Uma resposta nem sempre relacionada à pergunta. Um emoticon fofinho.
Uma enxurrada de palavras quando se vêm, em meio a “nossa quanto tempo” e “ também estou numa correria”. Um abraço xoxo, um beijo estralado no rosto e um “vamos fazer alguma coisa sem fala” para arrematar.
Uma noite, uma mesa de bar. Quatro almas, quatro copos, quatro histórias que não se conectam além de dividir a mesma garrafa. Histórias soltas, quatro almas que voltam pra casa do mesmo jeito que estavam quando saíram.
Situações assim são cada vez mais comuns, e ao mesmo tempo em que me sinto incomodada, aproveito para observar. Parece que estamos com fome de falar, de ser ouvidos, e não temos tempo algum para ouvir. E essas “conversas” que temos a todo o momento não nos saciam, nem aos nossos interlocutores. Apenas nos deixam mais ansiosos e com ainda mais fome. A resposta à famosa pergunta: você tem fome de quê? De falar, de ser notado, de preencher seu tempo. 
Tenho sorte em poder ter conversas de verdade. Com intervalos, com escuta atenta e generosa. Daquelas que mudam um pedacinho da minha alma ao me emocionar, e que passam a fazer parte de quem eu sou.  Inclusive tenho conversa comigo mesma, e às vezes me surpreendo ao perceber coisas que desconhecia. Ao ouvir sem preconceitos, sem tentar adivinhar o que se passa em outros níveis, ao falar sem artimanhas, podemos saciar essa fome que nos atormenta. Entender que cada um tem uma história e uma bagagem que a gente desconhece completamente nos ajuda a sermos menos arrogantes e mais curiosos, mais generosos.


Renata espera que todos possam saciar sua fome de falar e de serem ouvidos, simplesmente ouvindo mais, aos outros e a si próprios. 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Impressões externalizadas

Vida de boi

Existe uma onda de menosprezo aos que se diferenciam de alguma forma, seja intelectualmente, seja por algum tipo de ativismo, seja por escolher o bem.

O legal mesmo é ser boi, aqueles que trabalham, trabalham pastando, para um fim não tão digno assim. Soldadinho que obedeça a ordens. 


Vê-se professores que lutam pela sua profissão sendo achincalhados, tudo se resume a “papinho intelectualóide”. Mesmo os que nunca leram Marx, viraram "seguidores de Marx". Todo mundo virou comunista também, mesmo quem não sabe nem ao certo o que significa o comunismo. Ativistas sendo julgados – quando feministas, são resumidas como “mal comidas” ou “sapatões”. A quem se diferencia por fazer o bem, tem-se a taxação de “otário”. Quem enche sua casa de gatos ou cães porque os outros não se preocupam em castrar e muito menos em cuidar, diz-se “maluco”. 

O bacana é não fazer nada. Ou fazer o mesmo, ser igual. Pensar igual. E se o pensamento em massa propagar ódio é mais bacana ainda. 

Preguiça disso tudo. 

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Pieguice pós dia dos namorados

Já vi que não tem escapatória! O ser humano é um ser dotado de pieguice latente.

Até os mais durões, vez ou outra vão amolecer e deixá-la aparente.
Até os mais fortes serão, nem que por um dia, sentimentais, românticos, sonhadores. 
Até os mais "machos" vão se emocionar com propaganda de perfume, derreter com uma declaração de afeto, se deslumbrar com fotos de um casamento.
Até os mais resistentes vão chorar com as injustiças. Vão se entristecer com as mazelas desse mundo, com as diferenças sociais, com o preconceito e intolerância que tanto cerca-os.
Vão sorrir com o sorriso de uma criança, querer levar aquele animalzinho abandonado para casa, pensar em constituir família.

E os que não nasceram com esse vírus que vez ou outra se manifesta penso faltar o gene da humanidade, e serem apenas seres, não humanos.

E no dia dos namorados postarão fotos e juras de amor eterno, serão piegas no mais que poderiam ser. Amor para toda a vida. é o que mais se lê - citando Rubem Alves, meu avô, mais uma vez: "Somos donos dos nossos atos, mas não somos donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Podemos prometer atos. Não podemos prometer sentimentos. 'Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida vou te amar...' Lindo e mentiroso. Não se podem prometer sentimentos. Eles não dependem da nossa vontade. Sua existência é efêmera. Como o voo dos pássaros."

Mas mais engraçado que as homenagens melosas que pipocam nesse dia, são os que se incomodam com isso, eu mesma, confesso. É que acho que todo o dia é dia dos namorados – não, não estou querendo aquele mel escorrendo no feed o tempo todo! Desejo empenho rotineiro pelos relacionamentos. Rotineiro e longe das telas. Com boas surpresas fora de hora, com companheirismo e declarações inesperadas. Que a vontade de postar a foto, da flor, do presente, do café na cama seja contida e se viva o momento com seu bem-querer. 


Nem só de amor e postagens vive um relacionamento, como as amizades é preciso investimento continuo para seguir existindo. 

~~~

Falando em amizade

Ah, amizade é coisa séria, é amor, e me emociona sempre. Tanto as que cultivo ao longo dos anos, como as que enxergo em outros pelos caminhos da vida. 

Mas algumas vezes, do mesmo jeito que existe platonismo nos relacionamentos amorosos, parece existir uma unilateralidade nos relacionamentos de amizade. Uma das pessoas se empenha, empenha, investe e a outra, ah, a outra... como no caso do platonismo, não deve amar tanto assim! E sem investimento recíproco não existe sustento para nenhum tipo de relacionamento. E o que investe cansa, ou não tem mais o que investir.

Até os relacionamentos familiares precisam de reciprocidade – uma ligação, uma mensagem de vez em quando: “ei, você aí, eu existo e estou pensando em você!”. Mas em tempos de redes sociais, receber um telefonema é coisa rara – e nem no aniversário não acontece mais!

Nesse link, uma boa leitura sobre amizade verdadeira, investimento e a importância disso tudo.

Sigamos investindo nas boas “inteirações” como disse a Renata aqui. Sejam amorosas ou de amizade ou familiares – afinal amizade também é amor – e parente pode ser amigo. 

Luciana escreve as quartas e anda bem inspirada pelas novas experiências e desafios que a vida colocou na sua frente.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Uma semana é pouco tempo?

O que dá para fazer em uma semana?

Dá pra mudar de casa, mudar de bairro, de vista, juntar escovas de dente, trabalhar, ficar morando em duas casas – tomando banho em uma e dormindo na outra. Dá para surtar com o cachorro que não se conforma em mudar. Dá para perceber que não vai ter uma ajuda com a qual estava contando muito. Dá para trabalhar, não aproveitar o feriadão por estar mudando. Dá para estressar com a operadora da internet que disse que talvez em seis meses o sistema libere para você transferir sua linha telefônica. Dá para chamar mil vezes a atenção do cachorro que insiste em latir para si mesmo numa casa toda de vidro. Dá para limpar as duas casas, tirar tudo de uma e colocar tudo em outra. Dá para ligar para uma dúzia de pintores, na esperança de achar um que não queira um rim seu. Dá para sentir muito medo do cachorro que mora na propriedade. Dá para tentar abstrair o fato do proprietário não ter feito nada do que havia acordado. Dá para ter uma tremenda dor nas costas. Uma crise alérgica permanente. Dá para ter um cansaço que não passa e vários lapsos de memória. 

Mas também dá para se deslumbrar muitas vezes com a nova vista. Dá para perceber que tem muitas pessoas com as quais você pode contar. Dá para saber que tomou as melhores decisões - com relação a casa, ao bairro, a junção de escovas, ao espaço para o cachorro, a vista, a rede na varanda, o sossego. E dá para avaliar certas decisões mais antigas que levaram a isso.

Ufa, já é quarta de novo e em uma semana dá para mudar completamente a sua vida - mesmo sem superpoderes!


Luciana escreve as quartas, mesmo que, nos últimos tempos, quase perca o dia e está toda feliz com seu tudo novo de novo.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Em falta de superpoderes

Como seria bom ter superpoderes, ou varinha de condão ou pó de pirlimpimpim que fosse. Ou ser a Mulher Maravilha. Para conseguir ajudar de fato um amigo perdido, não só dando apoio. Para poder diminuir a distância das pessoas que a gente gosta. Para poder sumir do mundo quando as pessoas se incomodam com uma propaganda linda de uma loja de perfumes. Para poder calar a boca de quem fala mais do que pensa. Para tirar todas as crianças das ruas. Para tirar todos os cachorros das ruas. Para tirar a dor de quem sente.

Como seria bom ter superpoderes para as coisas irem sozinhas para dentro das caixas em uma mudança. Para aceitar mais fácil as mudanças, de vida, de estado civil, de casa, de paisagem, de humores. O novo.

Como seria bom ter superpoderes, para manter a conta bancária fora do vermelho em tempos de crise. Para fazer desse país um lugar melhor. Para fazer desse mundo habitável.

Como seria bom.



Luciana escreve as quartas e parou um pouco de encaixotar coisas para escrever hoje. Ainda bem que ela tem poucas coisas! O que importa a ela de verdade ela leva na mente e no coração.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Coisa de bicho

Algumas semanas atrás eu estava de férias, aquele tempo em que a gente corre e tenta fazer tudo o que não consegue fazer no resto do ano. Uma dessas coisas, claro, é cuidar da saúde. Fui refazer um exame (nada grave, só um tira teima) pois não fiquei muito tranquila com o resultado da primeira tentativa.
Antes de vocês revirarem os olhos e me chamarem de hipocondríaca, quero contar que a médica que fez o exame da primeira vez, estava no celular discutindo com o ex-marido sobre dinheiro. Por isso não fiquei assim tão certa de que o exame foi bem feito.
Ok, segunda tentativa: estou na salinha preparada sob o aventalzinho de papel. Chega o médico, tri novinho. Eu já ia brincar e dizer que não faria o exame com estagiário, mas segurei a língua porque eu precisava que o exame fosse bem feito, e mexer com o ego do cara não ia ajudar em nada.
Ele começa o exame e as perguntas de praxe e me explica que, caso eu engravide, devo tomar cuidado com a minha circulação, especialmente se fosse ter um parto normal. Digo que não tenho planos de engravidar, mas que, se engravidasse, ia querer parto normal sim. Aí, ele emenda um: não entendo porque essa moda de parto normal, isso é coisa de bicho.
C o i s a  d e b i c h o !

Eu já ia mandar um: que bom que tu não é bicho, tá mesmo mais pra uma ameba!
Mas lembrei que, se falasse, ia ter que fazer o exame pela terceira vez... respirei. Fechei os olhos. E comecei a levemente argumentar sobre as vantagens de um parto normal. A recuperação. O vínculo. A liberação de hormônios. E ele cada vez falava: mas na faculdade a gente aprender que é muito ruim pra mulher (que tipo de faculdade é essa???).  Em defesa do estagiário médico, devo dizer que, em alguns momentos, ele ouviu e disse que nunca tinha pensado sobre um e outro aspecto que eu levantei.
Quando ele acabou o exame (que disse que está tudo certo comigo, obrigada) eu deixei de me segurar e finalizei nossa sessão com um: até porque um filho não pode ser tratado como um apêndice supurado, que você corta, abre, tira e costura.


Renata fica abismada com o baixo nível de informação de pessoas que, infelizmente, são ouvidas como deuses por grande parte da população. E no final, não discorda totalmente do médico. Talvez ele só não tenha aprendido na faculdade, mas os seres humanos são bichos. 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Das bem aventuranças

Bem aventurados os que ouvem mais do que falam. 
Bem aventurados os que leem mais do que postam. 
Bem aventurados os que vivem mais do que on line
Bem aventurados os que contemplam mais do que fotografam.
Bem aventurados os que aprendem mais do que criticam. 
Bem aventurados os que ensinam mais do que impõem. 
Bem aventurados os simples mais do que altivos. 
Bem aventurados os que toleram mais do que preconceituam. 
Bem aventurados os que aceitam mais do que julgam. 
Bem aventurados os que protegem mais do que atacam. 
Bem aventurados os gentis mais do que rudes. 
Bem aventurados os que creem mais do que temem. 
Bem aventurados os ativos mais do que os preguiçosos.
Bem aventurados os preocupados mais do que os passivos. 
Bem aventurados os românticos mais do que desiludidos. 
Bem aventurados os que têm paixão mais do que o lattes
Bem aventurados os sonhadores mais do que pragmáticos. 
Bem aventurados os que arriscam mais do que os confortáveis.
Bem aventurados os que amam mais do que da boca pra fora.




Luciana anda assoberbada e quase esqueceu o texto de quarta, então revisitou esse texto já postado. E tem feito de tudo para crer mais e para se enquadrar em suas bem-aventuranças.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Coletor menstrual


A balzaca Mariana já falou sobre eles aqui e foi muito legal ler o texto dela e de várias outras mulheres que estão usando coletor. Eu já vinha lendo sobre isso há um tempo, e finalmente decidi tentar!
Gente, é muito bom! Dá uma sensação de liberdade que só quem é mulher vai entender. De segurança. E é bem mais confortável do que usar a fraldinha no meio das pernas o tempo todo. Recomendo bastante! E recomendo também se informar, conversar com quem usa, para pegar umas dicas. Como é completamente diferente do que a gente está acostumada, essas dicas realmente ajudam.
Aí fiquei toda orgulhosa andando com meu copinho pra cá e pra lá, me sentindo segura e me sentindo parte do planeta, já que parei de produzir mais um tipo de lixo. E me peguei pensando em quantas coisas da nossa vida cotidiana a gente faz daquele jeito só porque sempre fez daquele jeito. Quantas coisas a gente pode (e deve) mudar conceitualmente mesmo. Inovar. Desprender do jeito de sempre. Não que ele seja (sempre) ruim. Mas não custa nada pensar, né? Botar a cachola pra funcionar e repensar nossas atitudes, pra andar de um jeito melhor. Mais presente. Mais conectado (e não falo de internet, falo de outro tipo de conexão). Mais sustentável. Mais responsável. Quem tiver algum insight conta pra nós! Vamos compartilhar!


Renata está tão feliz com seu copinho que vai até dar um nome pra ele, e deseja que cada vez mais a gente encontre formas mais sustentáveis e responsáveis de viver.

domingo, 24 de maio de 2015

Aquela que não pode ser (nem ter)



 Acalma esse seu coração garota.
Vá dormir.
Ele não vai ligar.
É madrugada de sábado
e ele está com ela.
Enquanto você anseia
pelo corpo dele junto ao seu
ela se contorce de prazer em seus braços.
Enquanto você espera acordada
por algumas migalhas de atenção
ela dorme calmamente
cabeça recostada em seu peito.
Vá dormir garota.
Esqueça
ao menos por esta noite
todos os sorrisos
todos os segredos
toda a exposição de sentimentos.
Vá dormir garota.
Independentemente
do que você sinta
do que você esteja disposta a fazer
ou do que esteja disposta a abrir mão
para tê-lo consigo
é com ela que ele está
é com ela que ele se preocupa
é ela a dona de seu coração.
Vá dormir garota.
Coloque-se
no seu devido lugar.
Lembre-se que você é
apenas
o passatempo
das madrugadas insones.
Vá dormir garota
e adormeça também
esse sentimento crescente
que lhe consome o peito
e transborda...

Déia escreve aos domingos e se questiona frequentemente se é possível 'adormecer' sentimentos...

(Este texto, de minha autoria, foi publicado primeiramente, no site Sapiens Marginalis do qual sou colaboradora)

       
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